segunda-feira, 23 de março de 2009

Koga, Nilce


“Meu pai foi um grande empreendedor na área agrícola desenvolvendo técnicas inovadoras e sempre buscando a preservação do solo, do meio ambiente e a produtividade das culturas.” (Nilce Koga)



A história da família Koga começa em 1915 com a chegada de Bunzo Koga ao Brasil proveniente de Fukuoka. No Brasil, logo que chegou, foi trabalhar na agricultura na propriedade do Major Antônio Ferraz, região de Ribeirão Preto. Em 1916 foi transferido para a Fazenda Barbosa, em Cambará.
Após o vencimento do contrato com o Major Barbosa, formou a Vila Japonesa em Cambará, juntamente com um grupo de agricultores japoneses. Líder nato, Bunzo Koga organizou os trabalhos e orientou a formação de lavouras. Em 1948, adquiriu uma propriedade rural na Secção Barbosa, município de Rancho Alegre e, em 1950, mudou-se com sua família. Foi casado com Midori Koga e teve 7 filhos: Fumio, Miyako, Satsuke, Fumiko, Yuriko, Yussaburo e Torie. “Meu pai, Yussaburo, nasceu em Cambará em 1933 e, a exemplo de meu avô, foi um grande empreendedor na área agrícola desenvolvendo técnicas inovadoras e sempre buscando a preservação do solo, do meio ambiente e a produtividade das culturas”, relata a neta do imigrante, Nilce Koga. Yussaburo tinha propriedades rurais nos municípios de Cambé, Rancho Alegre e São Pedro do Ivaí. Casou-se com Satiko Ehara e teve uma filha, Nilce, formada em agronomia pela UEL.
“Foi um pai, avô e amigo maravilhoso, procurando sempre ajudar os familiares, amigos e entidades da colônia japonesa e brasileira. Teve três netos: Aline, formada em jornalismo-UEL, Rodolpho e Leopoldo, ambos cursando agronomia-UEL, filhos do meu primeiro casamento”, completa Nilce, hoje, casada com Nelson Kumata, médico oftalmologista. “Meu marido é meu grande amigo e companheiro, e juntos montamos o “Orquidário Nova Londres”, a partir de um hobby nosso e de minha mãe, que era uma grande admiradora de orquídeas. Participamos ativamente de várias exposições e eventos na área orquidófila com vários exemplares premiados e, sem deixar de lado, é claro, de nossas profissões de formação. Somos gratos a nossos pais e avós pela coragem, perseverança e pelos ensinamentos que nos transmitiram”, conclui.

Koga, Terumi


“Minha mãe faleceu quando eu tinha 12 anos. Cresci vendo meus pais darem duro na lavoura. Com 13 anos saí de casa e comecei a trabalhar, aprendendo o ofício de fotógrafo. Meu pai era de pouca conversa, mas deu exemplo de perseverança, trabalho e honestidade.”
(Terumi Koga)




O imigrante Sunao Koga deixou a Província de Saga Ken, ainda jovem, com 18 anos. Veio para o Brasil acompanhado dos tios. Tomiko, que viria a se casar com ele, deixou o Japão com 15 anos. Veio acompanhada dos pais. Isso aconteceu nos anos 30. Naquele tempo, a “Terra do Sol Nascente” não conseguia mais alimentar e satisfazer os desejos de todos os seus filhos. O casal tão logo aportou em Santos foi enviado para a região de Ribeirão Preto, no município de Pontal, no interior de São Paulo. Começava ali a saga da família Koga.
O terceiro filho do casal, Terumi Koga, nasceu em 1939 e conta a trajetória do pai, que, a exemplo de todos os imigrantes, vislumbrava por uma vida melhor e próspera. “Meus pais mudaram-se para Sapezal, no interior de São Paulo, quando eu tinha 5 anos. Eles continuaram trabalhando na lavoura, plantando algodão. Nós somos oito irmãos, mas cinco nasceram em Sapezal. Eu me recordo da infância ao lado da família e que foi interrompida pelo falecimento da minha mãe quando eu tinha 12 anos. Ela morreu moça, com 36 anos, de febre amarela. Foi quando, aos 13 anos, resolvi morar com meus avós maternos e também imigrantes, em Assaí. Lá eu cursei a Escola Japonesa por 2 anos. Quando retornei a Sapezal, meu pai havia conseguido um emprego para mim. Eu trabalhava mas não tinha salário. O emprego era em Paraguaçu Paulista. Eu morava lá comia e tinha roupas. Em troca, trabalhava. Era o acordo feito entre o meu pai e meu patrão. Mas valeu a pena. Comecei a conhecer a arte de fotografar nessa ocasião”, revela. Terumi permaneceu no emprego durante 4 anos. Os pai, Sunao, viúvo, passava dificuldades e, ao lado de outro filho, deixou Sapezal em busca de melhores condições de vida, em Assaí. “Foi quando meus tios ajudaram meu pai a montar uma quitanda. Logo em seguida consegui um emprego de auxiliar de fotografia nao Foto Estrela, em Londrina, e não pensei duas vezes. Depois gerenciei outra loja na rua Sergipe. Em 1961 fui para Rolândia como empregado e permaneci 6 meses. Meu patrão não me pagava o salário combinado e resolveu me vender a loja. Comprei com sacrifício, mas fui em frente. A loja se chamava Fotolândia, e até hoje eu a conservo, no mesmo local, na Avenida do Expedicionário. Eu fui abrir uma filial em Londrina, em 1976, já com o nome de Fotocélula. A primeira foi na rua Sergipe”, conta Terumi.
Sunao Koga casou-se pela segunda vez e faleceu em 1971, sem retornar ao Japão. “Meu pai fazia parte do movimento Shindo Renmei, ou seja, daqueles imigrantes japoneses que não aceitavam a derrota do Japão na 2ª Guerra Mundial. Me recordo dele, sempre com a mala pronta porque achava que o governo japonês iria vir buscá-lo”, recorda.
A família de Sunao Koga permaneceu no Japão. “Meus avós paternos não imigraram e meu pai nunca mais os viu. Meu pai pouco falava, a gente não tinha muita informação sobre a família dele. Mas ele nos incentivou a trabalhar e ganhar a vida. Fiz o curso primário e não estudei mais. Porém, sempre trabalhei muito e aprendi tudo com o próprio esforço. Hoje temos 11 filiais da loja Foto Célula distribuídas entre Londrina, Rolândia, Arapongas, Maringá, Cornélio Procópio e Telêmaco Borba. Meus irmãos são Somiko, Minaki, Fumico, Tomiko, Laura, Tokio e Yaeko, mas todos estão em cidades diferentes, apenas a irmã caçula, Yaeko, mora em Londrina.
Terumi é casado com Fumico e tem três filhos: Cristiane, Michele e Anderson. “Mas a alegria da família é a neta Letícia, 5 anos”, conclui.

Koike, Alexsandro


“Meus pais contam que tiveram uma vida dura no Brasil. Mas nunca esmoreceram, criaram os filhos, deram estudos, uma boa educação. Nunca se esqueceram dos parentes que ficaram no Japão. Porém, adotaram o Brasil como o país de coração, onde nasceram os 8 filhos.”
(Adília Koike)


“Houve uma época onde não se conhecia nada além das fronteiras de seu país. Televisão, algo inimaginável. Internet, palavra inexistente. Rádio, só para poucos. Fotografia era novidade. A notícia era transmitida boca a boca e pelos jornais. Noticiavam-se terras estranhas, além-mares, onde a prosperidade vingava e dava ao imaginário popular a visão de um paraíso onde não existiam vulcões, terremotos, furacões ou frio. Terra tão generosa e fértil com campos verdejantes o ano todo. Que lugar era esse? Era uma terra de oportunidades.”
(Adília Koike)




Nas noites estreladas a bordo do Kooti Maru – um dos grandes navios procedentes do Japão que desembarcaram milhares de japoneses no Porto de Santos a partir de 1908 –, o jovem Hatio Koike sonhava com uma vida próspera num país que aparentava ser o porto seguro onde, falava-se, “dinheiro brotava em árvores”. Cheio de esperança ele deixou a cidade de Fujimi, na Província de Nagano-Ken, visando conquistar estabilidade financeira. Porém, a realidade era bem diferente. “Ele talvez não imaginasse que existisse um lugar tão longe e que demorasse tanto para chegar. Talvez até imaginasse que o imenso Japão poderia ser navegado de ponta a ponta em uma semana. No Brasil, as famílias japonesas esperavam enriquecer e não imaginavam que chegando aqui teriam que tabalhar duro na lavoura sofrendo preconceito, lutando com a diferença cultural”, relata Adília Koike, filha do casal de imigrantes.
Hatio desembarcou no Porto de Santos em 20 de abril de 1928. Foi direcionado à Hospedaria dos Imigrantes, no bairro Vila Nova, em seguida cadastrado e encaminhado para o Norte do Paraná. “Minha mãe, Nobuko Hiruma Koike, veio ao Brasil com 13 anos de idade, com toda a família, em maio de 1928 e nas mesmas condições”, conta Adília. “Ao invés de prosperidade e riqueza, esses imigrantes encontraram um trabalho duro, pouco promissor. Iniciava-se, assim, a luta pela sobrevivência. “A situação ficou complicada porque sem dinheiro como eles retornariam ao Japão? E pela resistência da cultura milenar trazida com eles, meus pais ficaram e deram o melhor de si”, completa.
Nobuko e Hatio casaram-se em 2 de maio de 1932 e estabeleceram residência em Cambará, na Fazenda Bacará. Tiveram 8 filhos. “Todos nós estudamos e realizamos o sonho dos meus pais que tiveram anos de trabalho árduo.”
Cheios de esperança e muita dedicação ao trabalho, passaram por um processo de adaptação sociocultural. As condições eram precárias, tanto de moradia como de alimentação. “Foram anos muito difíceis para os imigrantes. Trabalharam com afinco. Nessa fase aconteceu um êxodo dos imigrantes porque muitos não se adaptaram. Porém, meus pais encontraram nos filhos a força necessária para vencer num país completamente estranho e que mais tarde tornou-se o país deles também”, conta Adília.
Hatio Koike faleceu em 1989, aos 81 anos, e Nobuko Hiruma Koike, em 1998, aos 83 anos. Deixaram os filhos Seiiti, Yutaka, Toshio, Kanuto, Kasuko, Shizuo, Adilia Kiyoko e Paulo. “Mas nós todos estávamos sempre com eles, preservando nossa história. Meus pais tiveram 24 netos e 15 bisnetos”, conclui.
Seiiti Koike e Thereza Ogawa Koike, pai e mãe de Alexsandro Koike, se conheceram e casaram em Uraí e tiveram 5 filhos: Margarida Midori, Hugo Shiguekazu, Martha, Edson Takeshi e Alexsandro.

Kuabara, Marcos


“O pioneirismo, a esperança e a coragem de meus avós e pais são os pilares que sustentam as nossas vidas.”
(Marcos Kuabara)




Foi a bordo do navio Itsukushima Maro, no dia 1º de maio de 1912, que imigrou o casal Kimio e Katsuma Kuabara, proveniente de Kumamoto Ken. “Meus avós vieram para o Brasil em busca de oportunidade e prosperidade como todos os imigrantes. Logo que chegaram foram para a Fazenda Dumont, da família de Santos Dumont, no interior de São Paulo, onde trabalharam arduamente na lavoura. Mais tarde compraram um sítio para o plantio de café e outras culturas, em Guaimbé, interior de São Paulo, e lá permaneceram durante 20 anos. Com as constantes pragas da lavoura e perda da colheita, mudaram-se para Arapongas, em 10 de novembro de 1949”, relata o neto Marcos Kuabara, dentista em Londrina.
No Brasil, o casal Kimio e Katsuma constituiu família. Tiveram oito filhos: Yoshie, Tsutomu, Katsuko, Masaru, Yoshiko, Yatio, Yaeko e Toshiko. “Meu pai, Masaru Kuabara, casou-se com a minha mãe, Haruka, em 14 de fevereiro de 1953, na cidade de Arapongas. Trabalharam no comércio e na lavoura, e fixaram residência em Arapongas, onde moram até hoje”, conta Marcos, que tem 4 irmãs: Irene, Maria de Lourdes, Rosa e Celina. “Eu nasci em Arapongas, mudei-me para Londrina em 1984 quando ingressei na Universidade Estadual de Londrina, onde cursei Odontologia. Depois viajei muito me especializando em cursos tanto no Brasil como no Exterior e sou casado com Juliana Sacani, também dentista.”
Marcos Kuabara fez residência no Hospital do Câncer de Londrina e mestrado em cirurgia bucomaxilofacial, é diretor e coordenador do curso de especialização em implantes dentários na IMPPAR, é diretor e fundador da Sociedade Paranaense de Osseointegração, e tem sua clínica particular em Londrina. “Minha irmã Irene é gerente financeiro de uma empresa em Arapongas, Maria de Lourdes é casada, mãe de Gabriel e Éric, faz trabalho voluntário em São Paulo. A outra irmã, Rosa, também é casada e tem dois filhos, Douglas e Bruna, e tem duas empresas na área de alimentação, em Jundiaí. Celina, também casada, é mãe de Vinicius e Camila e é supervisora no departamento de informática de um banco em São Paulo”, explica.
Os pais, Haruka e Masaru, atualmente residem em Arapongas. A família se reúne nas datas comemorativas como, aniversários, Natal e Ano Novo. “Mantemos algumas tradições como, falar em japonês entre os familiares, fazer a comida típica japonesa em casa e freqüentamos a Associação Japonesa, entre outras.” Marcos Kuabara relata algumas histórias dos avós imigrantes: “Meu avô contava que, a viagem para o Brasil foi uma aventura inesquecível, chegando aqui, encontrou a primeira dificuldade que era a língua local, depois o clima, mas ficou impressionado com a quantidade de terras para cultivar, e foi dessa atividade que ele conseguiu formar e sustentar toda a família. Seus conselhos eram providos de extrema simplicidade e de grande conteúdo. Meu avô costumava dizer para ‘trabalharmos sem prejudicar ninguém e dar o nosso melhor’.

Kuwahara, Reinaldo Minoru


“Meu maior prazer é conhecer, pesquisar, estudar. Isso me motiva. A Medicina é a minha grande paixão.”
(Reinaldo Minoru Kuwahara)


“Tenho boas lembranças da minha infância em São Paulo, trabalhando com meu pai... Eu gostava de fazer pacotes de presente na loja e de ficar com ele observando o comércio. Mas queria mesmo era ser médico.”
(Reinaldo Minoru Kuwahara)




Foi em meados de 1930, mais de uma década antes do Japão viver a tragédia da bomba atômica, que a família Kuwahara resolveu partir de Hiroshima em busca da terra prometida. A dificuldade foi compartilhada por centenas de famílias que embarcaram no “vapor” desde a vinda dos primeiros imigrantes, em 1908. Ainda assim, os pioneiros estavam esperançosos. Em sua maioria agricultores pobres, os imigrantes acreditavam que o Brasil era o país onde o “dinheiro brotava das árvores”. Mas o desembarque no Porto de Santos mostrou outra realidade, que ficou registrada na memória de imigrantes, filhos e netos. Muitos nunca mais retornaram ao Japão, deixando para trás familiares e amigos para realizar o sonho de uma mudança de vida.
Shigeru Kuwahara desembarcou no Brasil aos 12 anos. Acompanhado dos pais, Buishi Kuwahara e Hisano Kuwahara, foi trabalhar na lavoura no Estado de São Paulo. Tornou-se agricultor, casou-se com Tomoko e tiveram 4 filhos. Em Santa Cruz do Rio Pardo começaram a vida e, em meados de 1956, a família mudou-se para a capital de São Paulo, onde iniciou a vida no comércio. “Meu pai alugou um pequeno espaço na rua 11 de Agosto, próximo ao Fórum. Começou a vender relógios, pulseiras de couro, canetas. Em 1961 alugou uma loja maior na Praça João Mendes e instalou a Relojoaria Kuwahara. E está lá até hoje”, lembra o filho mais velho Reinaldo Minoru Kuwahara, que conheceu a cidade grande aos 2 anos de idade. “Eu era muito criança quando me mudei para São Paulo, mas tenho boas recordações. Comecei a ajudar meu pai aos 9 anos, levava a marmita que minha mãe preparava e ajudava nos pagamentos das contas da loja. Estávamos sempre juntos”, diz. Ele também se recorda da história de garra dos antepassados. “Meu avô foi militar da primeira guerra mundial. Lutou na Indochina. Só depois é que veio com os filhos para o Brasil.”
Foi em 1976 que Reinaldo ingressou no curso de Medicina na Universidade Estadual de Londrina. “Quando cheguei em Londrina fui morar numa pensão na Avenida São Paulo, bem ao lado de uma funerária. Era uma pensão masculina e lá permaneci durante 6 meses. Na faculdade fiz boas amizades. Eu e mais cinco alunos de medicina resolvemos morar juntos numa “república” e lá permanecemos até nos formarmos em junho de 1982.” Especializou-se em pediatria, cirurgia geral e cirurgia pediátrica na UEL, e de 1989 a 1991 esteve na Universidade de Tókio, onde cursou especialização em cirurgia reconstrutora e microcirurgia. “Quando terminei minha especialização em cirurgia pediátrica, tinha como objetivo estudar e aprender técnicas cirúrgicas que eram pouco conhecidas no Brasil, surgindo assim a opção de fazer uma especialização no Japão – mais precisamente na Universidade de Tókio – onde havia a possibilidade de me aprofundar nos estudos sobre microcirurgia. Fui aprovado no processo de seleção para Bolsa de Estudo do Ministério da Educação do Japão (“Monbusho”), através de seu Consulado no Brasil, e lá permaneci durante 2 anos e, sem dúvida, foi um grande aprendizado”, revela.
Reinaldo é um estudioso. Nunca se dá por satisfeito. Além de cirurgião pediátrico e especialista em cirurgia reconstrutora e microcirurgia, também fez especialização em perícia médica. Atualmente é diretor clínico do Hospital Infantil Sagrada Família, médico do Hospital Evangélico e médico cirurgião no recém-inaugurado Centro de Tratamento de Queimados do Hospital Universitário em Londrina. “Adoro estudar e pesquisar. Estou sempre querendo aprender algo novo para poder oferecer o melhor ao paciente”, comenta. Casado com a fonoaudióloga Suely Terumi Sasaki Kuwahara, tem um filho, Eduardo, 15 anos. A família costuma se reunir para churrascos com os amigos. “Saio pouco, gosto de amenizar o “stress” do dia-a-dia inventando um prato diferente na cozinha, apreciando um bom filme e fazendo caminhadas porque não sobra muito tempo para outros exercícios. Mas fui jogador de beisebol e de tênis de mesa. Cheguei a ser goleiro de futebol de salão, mas hoje estou fora de forma (risos). O tempo que tenho é destinado ao que mais gosto de fazer: estudar e aprender. E o restante para descansar e curtir a família”, conclui. Reinaldo é irmão de Osvaldo Wataru Kuwahara, Roberto Hidechi Kuwahara e Renato Hosamu Kuwahara.

Kyosen, Noboru


“Meu marido incentivava a leitura, o conhecimento. Nós morávamos em Jataizinho, trabalhávamos muito na lavoura. E quando ele vinha a Londrina comprava livros para as filhas. Não comprava brinquedo, fazia questão de mostrar a importância dos estudos.”
(Chisato Shimizu Kyosen)


“Meu pai sempre vislumbrou o futuro. Era um homem humilde, justo e visionário. Faleceu aos 92 anos e deixou um belo exemplo.”
(Missae Kyosen Nakayama)




Foi no início da década de 1920 que a família Kyosen aportou no Brasil depois de uma longa e cansativa viagem a bordo do navio Kanagawa Maru. Issamu Kyosen, o patriarca, era casado com Tome Kyosen e pai de Fujie, Sakae, Noboru, Assako e Sussumu. No Brasil, a família enfrentou as adversidades de viver num país completamente oposto a tudo que conhecia. “Meu marido contava que a família toda sofreu com a diferença da língua, dos costumes, das tradições, com o preconceito. Assim como a minha família, Shimizu, que para cá veio a bordo do navio Hawae Maru”, recorda Chisato Shimizu, a primogênita de Tyoiti e Yoshino Shimizu, hoje com 87 anos.
Dona Chisato tem boas lembranças da viagem a bordo do navio de carga. “Eu era muito arteira, tinha 5 anos, e todos os dias ganhava fatias de abacaxi de um dos tripulantes. Eu corria pelo convés, brincava muito. Foram 60 dias em alto-mar, mas não tenho uma recordação ruim, ao contrário, para uma criança aquilo tudo era uma aventura”, ressalta. Chisato teve três irmãos: Kikue, Koojiro e Tsuruo.
A imigrante conta que o pai, Tyoiti, era um boêmio e gostava de amanhecer em casas de jogos. “Meu pai jogava e acabamos falindo. Tivemos que vir para o Brasil em busca de prosperidade. Nós chegamos na Fazenda Santa Rita, na Vila Bonfim, em Mogi das Cruzes (SP) e lá permanecemos durante 8 anos. Meu pai faleceu 5 anos após chegar ao Brasil. Aqui ele trabalhava muito para juntar dinheiro e voltar para o Japão”, conta. A família transferiu residência para Campinas onde começou a plantar algodão. Depois de 3 anos, mais uma mudança, desta vez, para a Fazenda Roseira, em Assaí, no Norte do Paraná.
A família Kyosen orgulhava-se de ser a única a ter caminhão e telefone quando residia na Fazenda Cantagalo, região Mogiana, onde pais e filhos trabalharam como colonos durante 10 anos. “Meu sogro, Issamu, comprou terras naquela região, prosperou e participava de atividades sociais e filantrópicas da colônia japonesa. Deixou um bonito legado para os filhos’, recorda Chisato, que se casou com Noboru Kyosen (terceiro filho de Tome e Issamu Kyosen) em 21 de dezembro de 1939. “Nossas famílias eram amigas, conheciam-se da Fazenda Santa Rita e Fazenda Cantagalo, que eram próximas. Meu sogro morreu em 1939 e minha sogra retornou para o Japão no ano seguinte.”
A vida do casal Chisato e Noboru foi um exemplo de luta, perseverança e conquista. Eles tiveram 9 filhas: Yoshie, Norie, Missae, Satoe, Yukie, Natsue, Kiyoko, Adélia e Eunice. As filhas foram criadas lendo muito, dominando o idioma japonês, sendo bem informadas. Legado deixado pelo pai que lia diversos livros e jornais como o Estado de S. Paulo, além de outros periódicos japoneses. “Nós nos mudamos para a Fazenda Coqueiro, em Jataizinho, em 1944. Fomos cultivar café. Meu marido sempre foi muito trabalhador. Eu me lembro que durante 1 ano, em Jataizinho, ele abriu “picada” sem ver qualquer pessoa. Trabalhava o dia todo. A gente se mudou para Lobato, no Paraná, em 1952 e ficamos até 1966. Meu marido se preocupava com os estudos dos filhos e Londrina era a cidade próxima que tinha recursos. Ele vislumbrava o futuro dos filhos, uma coisa muito bonita de se ver, recordar e contar”, diz a matriarca que se orgulha em revelar: “Todas as minhas filhas foram amamentadas até o primeiro ano de vida, muitas vezes embaixo do pé de café., Eu nunca dei mamadeira, fazia questão de amamentar”, conclui. Em 1966 a família abriu a Casa Roseira, no Jardim Bandeirantes, em Londrina. Dona Chisato permanece lá até hoje.

Maeda, Paulo Takushi


“Meus pais trabalharam muito, tanto na lavoura como no comércio. Chegaram a ter uma lotérica e eu me lembro que, com 9 anos de idade, corria pela cidade toda levando o resultado dos jogos para as pessoas.”
(Paulo Takushi Maeda)







Yoshihiro Maeda e Zitsuyo Maeda vieram casados para o Brasil. Em busca de prosperidade, deixaram a pequena cidade de Sayo, em Hyogo Ken, ao sul do Japão. Em Santos, o casal aportou numa manhã fria, com o coração apertado de saudades. E com a esperança de aqui prosperar e mais tarde retornar ao país de origem. Assim como a maioria dos imigrantes.
No Brasil o casal foi enviado para o interior paulista, na cidade de Pompéia, onde permaneceu durante muitos anos. “Meus pais trabalharam duro na lavoura, ganharam dinheiro e adquiriram terras. Plantavam algodão e hortelã. Mas perderam a safra e tiveram que vender as terras para pagar o Banco do Brasil. Aí se mudaram para Lucélia, onde meu pai trabalhou como peixeiro. Lá tiveram o primeiro filho, que veio a falecer, e depois os outros: Tizuko, Takushi e Júlia Kazuhiro Maeda. Isso foi em 1947. Depois de Lucélia fomos para Flórida Paulista, onde meu pai continuou com uma peixaria e uma lotérica”, relata Paulo Takushi Maeda.
Depois de Flórida Paulista a família transferiu-se para a região de Paranavaí. “Como meus pais já não conseguiam mais comprar terras, montaram um bar. Eu cursava o último ano do grupo escolar. Nos mudamos para Marialva, onde meu pai, atendendo ao convite de um amigo, foi trabalhar no comércio de secos e molhados. Nessa época, tínhamos certa estabilidade financeira. Eu terminei o ginásio em Marialva”, relembra.
Desde os 11 anos, Maeda trabalhava em farmácia. Adquiriu conhecimento e terminou o ginásio em 1957 quando se mudou para Londrina. “O objetivo era estudar. Meus pais haviam ficado em Marialva e eu fui morar com Soiti Taruma, grande líder da colônia e um grande fazendeiro. Eu cuidava dele e da esposa. Trabalhava durante o dia no escritório da fazenda e à noite fazia o curso de técnico em contabilidade no Colégio Londrinense. Isso tudo em 1958”, completa.
Doente, com problemas sérios pulmonares, o imigrante Yoshihiro precisou mudar-se para Campos do Jordão, para se tratar. “Nesta época, meus pais já moravam em Capivari, perto de Campinas. Minha mãe lá permaneceu. Fritava pastéis para vender. Eu me formei em contabilidade e fui contador da serraria Kimura, em Cruzeiro do Oeste, onde permaneci de 1961 a 1963. Retornei a Londrina para administrar os bens do senhor Soiti e fiquei nesta função até 1971, quando me formei em Direito pela Universidade Estadual de Londrina”, diz.
Paulo Takushi Maeda chegou a advogar durante 5 anos. Em 1976 candidatou-se a vereador e fez um curso para lecionar. “Lecionei no Colégio Mário de Andrade e Ipolon. Fui dar aulas para me relacionar com os adultos, sempre com uma visão política. Me elegi pela Arena e fiquei na legislatura de 1977 a 1982”, conta.
Idealizador, ele criou um programa voltado para a colônia japonesa, transmitido pela Rádio Clube. “A minha esposa, Rosa, era locutora. Nós transmitíamos notícias da colônia e tocávamos músicas japonesas. Naquele mesmo ano, a TV Coroados criou um programa similar que depois passou a ser veiculado pela TV Tropical. Era muito bom, tinha shows variados e apresentação de diversos cantores amadores”, relembra Maeda, que manteve o programa até 1982.
O casamento com Rosa foi em 1968. O casal teve três filhos: Tiemi Adriana, Paulo Rogério Tsukassa e Ana Paula Tammi. Eles têm quatro netos Othoniel, Paulo, Tiago, Paulo Guilherme.
Maeda trabalhou na Prefeitura de Londrina, durante a segunda gestão de Antonio Belinati. Depois atuou junto ao prefeito Luiz Eduardo Cheida e foi convocado pelo governo Jaime Lerner, para assumir a superintendência regional da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, onde permaneceu durante 4 anos, até 1998.
Polivalente, atuante em diversos segmentos, Maeda trabalhou junto aos dekasseguis, sempre como voluntário. Atualmente é o gerente administrativo da Aliança Cultural Brasil Japão e Liga Desportiva Cultural Paranaense.
Como hobby, Maeda adora pescar. Mas outra paixão faz dele um grande colecionador: o de gibis, em especial o Tex. “Há 39 anos coleciono. Uma herança que deixarei para os meus netos”, conclui.